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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rota Missões Nosso Parceiro no Encontro Gaúcho de Rotaract Club's

Rota Missões fundada em 20 de julho de 2001, possui sede em Cerro Largo. O objetivo principal é estimular e promover o desenvolvimento econômico, social e cultural das localidades envolvidas, elaborando e executando projetos de interesse de todos, setor público, privado e comunidades.

Missão da Fundação do Municípios das Missões:
"Unir e divulgar a região das Missões em torno de objetivos comuns, através de ações pactuadas visando o desenvolvimento sócio-econômico sustentável."

Saiba Mais sobre o Rota Missões


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O cartão postal de Santo Ângelo

Em Santo Ângelo, está uma das poucas igrejas a ter como padroeiro um anjo, e não um santo. Dedicada ao anjo da guarda, é semelhante ao templo construído na redução de São Miguel no século 18. A Catedral Angelopolitana é a terceira  igreja a ocupar o espaço do Centro Histórico.
A primeira foi construída em 1706 na Redução de San Ángel Custódio.A segunda foi uma pequena construção do século 19 para atender à comunidade.E,por fim,a atual estrutura,edificada a partir de 1929.
A arquitetura da catedral é de estilo barroco missioneiro,um misto de barroco,renascentista e guarani.Na fachada,em pedra grês ou arenito,colunas,arcos e esculturas de Valentim Von Adamovich homenageiam os padroeiros dos Sete Povos das  Missões.

dos destaques do interior da Catedral é a escultura do Cristo Morto produzida pelos guarani por volta de 1720,que,na Sexta-feira Santa,acompanha os devotos durante procissão.

À esquerda do altar,a escultura do anjo da guarda,de Godofredo Thaler,simboliza as três etnias que deram origem ao povo brasileiro – o negro,o índio e o branco.Numa referência ao processo inicial da formação do Estado,há o painel dos três mártires missioneiros,Roque Gonzales,Afonso Rodriguez e João de Castilhos.
– Quem conhece a Catedral Angelopolitana entra em contato com a simbologia das Missões.É uma verdadeira aula de história – diz a historiadora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões.

Texto: Juliana Gomes, ClicRBS

Série Rota Missões chega ao Jardim Missioneiro

Rota Missões. A fusão da história missioneira com a cultura alemã. A visita agora é ao centro germânico de São Pedro do Butiá. Sejam bem-vindos a São Pedro do Butiá, o jardim missioneiro.
As flores espalhadas por toda a cidade justificam este título. A manutenção de belos jardins é um costume dos alemães mantido até hoje em São Pedro do Butiá. Característica facilmente percebida também no Centro Germânico Missioneiro. Um espaço sob o olhar de São Pedro, um trabalho recente, concluído em 2009.

Esta estátua é uma das maiores em homenagem a São Pedro. Nos 30 metros de altura foram utilizadas 1,1mil toneladas de concreto. Um grande reconhecimento ao padroeiro do município e também de todo o Rio Grande do Sul.
Dentro, uma cruz missioneira de 10 metros que envolve e sustenta três ambientes. No térreo, os visitantes se deparam com relíquias trazidas de Belém e que remetem ao início da história de São Pedro nas margens do Mar da Galiléia, como apóstolo e seguidor de Jesus.
No segundo piso, esta mesma história é contada em pinturas sacras. E no último andar, o local onde as pessoas escrevem pedidos e agradecimentos.
Mas como Centro Germânico, a cultura alemã é visível na arquitetura. Essas casas eram antigas construções que foram trazidas do interior do município para cá.
_Temos a casa onde é servido o café colonial ou a refeição típica, conforme agendamento. Nós temos a primeira escola-capela, onde agora funciona, oficialmente criado, o curso de língua e cultura alemã. Temos o museu onde a gente tentou criar um ambiente para ficar registrado no tempo como nossos pioneiros viviam. E esta casa, então, onde são expostos e vendidos os produtos confeccionados por nossos artesãos_explica Velida Schneider, recepcionista do Centro Germânico.
Em torno de 2 mil pessoas visitam o local todos os meses. O município está preparado com espaços como esta pousada temática, para receber turistas como esta família de cariocas.
_A gente tá vendo agora todas as casas. A casinha do colono, a gente foi ver tudo pra poder aprender um pouco porque lá no Rio a gente não tem_comenta a bancária Renata de Abranches. Mas o Centro Germânico ainda não está totalmente pronto.
_A Casa da Cultura é o projeto que está sendo trabalhado no momento. Terá um auditório, biblioteca pública, espaço para ensaio de música_diz Velida.
O município fica às margens da BR-392 e também tem a igreja para visitação, os inúmeros jardins e até as árvores de butiá que embelezam as ruas da cidade. Mas além disso, um povo receptivo a quem vier.

Para conferir a matéria que foi ao ar no Jornal do Almoço clique aqui

Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vinícola Fin Tradição em Vinhos Finos e Espumante

Tradição que transcende gerações. Este é o espírito empreendedor da família Fin. O sentimento, a arte e a paixão pelo cultivo de uvas e elaboração de vinhos continuam como há 100 anos.
A excepcionalidade do clima quente no verão e baixas temperaturas no inverno permite à Vinícola Fin elaborar vinhos de extrema qualidade e sabor.
Ao viajar pelas Missões Jesuíticas do Rio Grande do Sul você vai descobrir mais de 500 anos de história de um povo, as construções arquitetônicas das catedrais e monumentos, e 20 anos do Patrimônio histórico e cultural da humanidade. Assistir ao projeto Som e Luz em São Miguel das Missões é um momento único e inesquecível.
Além dos monumentos históricos você também vai descobrir aqui na Vinícola Fin, o delicioso mundo do vinho e da gastronomia italiana caseira.

Dos jesuítas à Revolução Federalista

 A história do Rio Grande vem sendo esculpida, pintada e adornada, há 45 dias, em um espaço de mais de mil metros quadrados. A três dias do Desfile Temático dos festejos Farroupilha, a confecção e os retoques dos seis carros temáticos e três alegorias estão a menos de 10% da reta final no barracão da Associação das Escolas de Samba da Capital, no Complexo Cultural do Porto Seco, na Zona Norte.
Cerca de 60 profissionais, entre marceneiros, ferreiros e decoradores se revezam para acertar os detalhes nos carros que medem, em média, 15 metros de comprimento e seis metros de altura. Tudo para abrilhantar a noite da próxima segunda-feira, na Avenida Edvaldo Pereira Paiva. A intenção é iluminar todos os carros, destacou o artista plástico Sérgio Peixoto. O projeto, que custou mais de R$ 1,1 milhão, juntou carnavalescos das mais variadas escolas que nessa época se reúnem em prol da paixão pelas tradições gaúchas.
Dos jesuítas em solo gaúcho à Revolução Federalista


Apesar de ter um quê de Carnaval, pela confecção dos elementos do desfile, a coordenadoria dos festejos salienta que é tudo bem diferente.
– Plumas e paetês não são permitidos. Além disso, na avenida é possível ver a diferença. Participam das encenações pessoas ligadas ao movimento tradicionalista, que encenam a história que eles conhecem muito bem. É uma expressão da tradição do nosso povo – destacou Josemar Basso, coordenador geral do desfile.
A ideia é transformar a festa em um evento nacional em até 10 anos.
– Temos festejos pelo Brasil, como o de Parintins, que movimentam a economia das cidades com o turismo. Porto Alegre tem todas as condições de fazer esse espetáculo artístico – declarou Basso.
Ao todo, 12 invernadas contarão uma história sobre o tradicionalismo gaúcho, que vai desde a permanência dos jesuítas em território gaúcho até a Revolução Federalista. Além dos carros e alegorias, três grupos se apresentarão em solo, retratando passagens da história gaúcha. Estima-se que no primeiro dia dos desfiles participem 1,1 mil pessoas e 1,5 mil no segundo dia. O público esperado para assistir às apresentações é de 30 mil pessoas.

texto: Kamila Almeida, Zero Hora

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Catedral Angelopolitana: a história das Missões em uma construção

A Rota Missões apresenta agora uma das mais belas imagens do Estado. A nossa parada hoje é na capital missioneira, Santo Ângelo. O destaque é a Catedral Angelopolitana.
Uma verdadeira obra de arte. Um detalhe mais bonito que o outro.
Tudo segue uma perfeição que conta a história missioneira. Os santos mártires em alto relevo, a oratória dedicada à Nossa Senhora de Guadalupe. A capelinha ao lado do altar. Estamos na Catedral Angelopolitana, considerada uma das mais belas igrejas do Rio Grande do Sul. Um espaço onde a arte revela os fatos e o povo, a fé.
Grandiosidade. Essa palavra define muito bem este lugar. A Catedral Angelopolitana tem hoje espaço para acomodar 800 pessoas aqui. Pra isso, as dimensões chegam a 50 metros de comprimento. Mas esta já é a terceira igreja construída neste local. A antiga era ainda maior. O altar, por exemplo, ficava 31 metros além de onde está hoje.
Dentro, a riqueza e o detalhamento são o maior destaque. Nas colunas, nas paredes, as pinturas e os ornamentos. Dom Estanislau Kreutz, bispo emérito da Diocese de Santo Ângelo conhece os 30 povos e diz que esta é a mais bela igreja de todas.
_Artisticamente e também pela simbologia das reduções, ela traz pro presente a riqueza histórica do passado. E tendo estes símbolos na fachada, com os padroeiros dos Sete povos aqui, mais a Cruz Missioneira e a parte interna tão linda, de maneira que não temos outra igual_explica Dom Estanislau.
Como janelas, vitrais com desenhos e símbolos. Ao todo são 86. Em cima do altar, representam cada um dos padroeiros dos Sete Povos. Pela igreja, também as 12 lamparinas que nunca se apagam, representando os 12 apóstolos. E um dos maiores símbolos, a escultura em madeira do Cristo morto, confecionada por índios na época da antiga redução de san angel custódio.
_Esta imagem é preservada aqui e é levada na sexta-feira santa pelas ruas, e aí vem tanta gente para acompanhar o Cristo Morto, para depois celebrar a Páscoa do Ressuscitado. De maneira que é a única relíquia que sobrou aqui em Santo Ângelo_diz Kreutz.
Com quase 90 anos de idade, seu Rudá é um dos responsáveis pela bela fachada da catedral. Ele conta que do projeto à construção, o trabalho levou em torno de sete anos para ficar pronto.
Dom Estanislau explica que o espaço católico é aberto a qualquer pessoa, idependente a religião. Todos são bem -vindos à casa de Deus. Um acolhimento também retratado nesta escultura. Uma peça inteira de madeira que pesa em torno de 800 quilos. Representa o anjo da guarda protegendo brancos, indios e negros, sem discriminação.

Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

domingo, 11 de setembro de 2011

Estudantes de Arquitetura da URI visitam as ruínas de São Miguel


Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da URI, acompanhados pelas professoras Thais Brum e Claudete Boff, realizaram uma visita de estudos ao Sítio Histórico de São Miguel das Missões para conhecerem o trabalho da artista plástica Maria Elvira Escallón da Colômbia. A atividade ocorreu no último dia 12 e envolveu aproximadamente 30 estudantes.
A visita integrou as atividades do projeto da 8ª Bienal do Mercosul, intitulado Cadernos de Viagem. A ideia é mostrar o Rio Grande do Sul a artistas de diferentes nacionalidades que irão desenvolver seus projetos junto às comunidades visitadas. Através de diversos meios artísticos, tais como fotografia e desenho, eles relatam suas experiências, mostrando a paisagem e o trabalho das comunidades envolvidas. No total, são nove artistas que integram este projeto, e entre eles está Maria Elvira Escallón, artista colombiana, que fez seus relatos sobre as ruínas.
Com vários trabalhos realizados em países como a Inglaterra, Colômbia, Estados Unidos, entre outros, a artista manifesta interesse especial pela memória, patrimônio, natureza e cultura. Sua obra está embasada, neste momento, em estudos da evangelização dos jesuítas e da arte barroca do período reducional. O trabalho surgiu da observação do ambiente, dos estudos sobre a cultura local e especialmente sobre a imaginária guarani, que foi o tema de seu trabalho em São Miguel das Missões. O trabalho produzido por Maria Elvira será apresentado em Porto Alegre (no Armazém A7 do Cais do Porto), de 10 de setembro a 15 de novembro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

São Nicolau: A primeira querência do Rio Grande

Na série Rota Missões, você confere agora a primeira Querência do Rio Grande. São Nicolau é a parada da vez. Por lá, a gente visitou um lugar que para muitos ainda é um mistério. E descobrimos também uma presença feminina marcante na antiga redução.
Entre os 5727 moradores de São Nicolau, os homens somam 2906, já elas são um pouco menos: 2821. Hoje, as mulheres podem estar em desvantagem, mas no passado o sexo feminino era destaque na antiga redução jesuítico-guarani.
De acordo com estudos do historiador Aurélio Porto, aqui as índias tiveram destaque por serem fiéis ao catolicismo. Mas, além disso, os poucos registros históricos revelam uma presença feminina marcante. Cada redução tinha em média 20 caciques e aqui em São Nicolau entre eles havia uma mulher.
Este fato ainda é desconhecido para muita gente. Uma curiosidade importante na trajetória da antiga redução que se desenvolveu em duas fases. Lorí schiavo é mais um apaixonado pela nossa história. Ele conta que tudo começou em 1626, quando o padre Roque Gonzales fundou a redução de São Nicolau, a primeira em território gaúcho. O povoado durou 12 anos até que foi transferido para o outro lado do rio Uruguai por sofrer ataques de bandeirantes. E em 1682 começou a segunda fase, por onde iniciaram os Sete Povos das Missões.
_E no ano de 1687, São Nicolau foi reocupada sendo a única redução que ocupou a mesma localização da primeira fase. Por isso, São Nicolau é a 1ª Querência do Rio Grande, porque o povo foi reerguido no mesmo local da antiga redução_explica o esttudioso da história missioneira Lori Schiavo.
No sítio arqueológico há resquícios de algumas construções como a igreja e o piso original preservado desde a época em que este lugar tinha mais de 7,5 mil habitantes. Parte dessa história está preservada nesta sala de exposições do município. O espaço guarda relíquias como cerâmicas, lápides e até as chaves das portas. Fragmentos de uma civilização descobertos nas primeiras escavações no fim dos anos 70.
_São Nicolau tinha os melhores artesãos dos 30 povos, inclusive que faziam obras de arte pras outras reduções_ diz Schiavo.
Em São Nicolau tem um espaço preservado que pra muitos ainda é um mistério. Muita gente acreditava que existiam túneis subterrâneos que ligavam uma redução à outra. Só que na verdade eram espaços conhecidos como adega onde o povo guardava alimentos e bebidas. Por questão de conservação, embaixo da terra.
Mas São Nicolau também pensa no futuro dessa história. Na cidade, está sendo montada uma biblioteca de estudos missioneiros. Mais de 650 livros temáticos sobre a região das Missões. Uma forma de manter aceso o orgulho de tudo o que este chão presenciou.

texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

Santuário do Caaró – o coração das Missões

O Rota Missões desta quarta-feira vai até o coração da região missionera. Nossa parada é em Caibaté, onde teve uma redução jesuítico-guarani, mas não fez parte dos Sete Povos porque era da primeira fase da história. Vamos agora, ao Santuário de Caaró.
Há dois quilômetros da BR-285, em Caibaté, fica o Santuário de Caaró. Em guarani, erva amarga. No local, foi uma redução missioneira fundada na primeira fase da evangelização dos índios, em 1628 pelo padre Roque Gonzales de Santa Cruz, acompanhado do padre Afonso Rodrigues, que foram mortos pelos índios 15 dias depois, uma ordem do Cacique Nheçú, o principal feiticeiro da região.

Inicialmente, houve uma relação amistosa de Nheçu com os jesuítas. Tanto é que os índios, a mando de Nheçu, ajudaram a construir a capela lá em Assunção do Ijuí. Mais tarde, por desavença entre os guarani e os padres, talvez pela pregação contra a poligamia ou pelo ato de batizar o índio guarani,  os índios achavam que estava sendo colocado o espírito do branco na alma desses índios, houve a revolta_diz o professor de História Sérgio Venturini.


No local, um monumento foi erguido para lembrar os padres, inclusive o padre João de Castilho, também morto pelos índios, mas na redução de Assunção de Ijuí, hoje município de Roque Gonzales. Juntos, os três foram declarados santos da Igreja Católica no fim do século passado. As imagens estão na capela do santuário bem como uma representação do coração do Padre Roque, que até hoje é preservado no Colégio dos Jesuítas em Assunção, no Paraguai.
_Quem descobriu que a antiga redução era neste lugar foi o padre Luís Ieguert, que também tinha conhecimentos de arqueologia. Mas foi só com relatos de antigos moradores, isso lá na primeira metade do século 20, que se revelou essa parte da história. É que na redução de todos os santos de caaró, as construções não tinham pedras e nem ferro. Era tudo de madeira. Por isso, não sobrou nenhum resquício.
Os índios colocaram fogo na redução em 1637, antes que os bandeirantes destruíssem o local, como fizeram com os outros 17 povoados da primeira fase da história.

O professor Venturini conta que um cacique também foi morto por contestar a brutalidade da morte de Roque Gonzales. E para a Igreja Católica, quem morre defendendo a religião tem o caminho do céu e é santo.
_Então, hoje, nós temos alguns padres, destacando-se, Dom Estanislau Kreutz, bispo emérito de Santo Ângelo, que estão lutando pela causa da santificação deste índio guarani que morreu exatamente aqui na nossa região_explica o professor.
O santuário foi criado em homenagem aos santos mártires. Tem uma ampla área verde e um espaço para missas ao ar livre. Milhares de pessoas vem em romarias e peregrinações. Buscam a água reconhecida como milagrosa.
_Aqui, no Caaró, em termos de religião católica, é o ponto mais significativo em todo o processo missioneiro, porque aqui está o sangue de dois santos da igreja católica: Roque Gonzales de Santa Cruz e Afonso Rodrigues_conclui o professor.

Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Caminho das Missões: Uma peregrinação pela história

 Uma forma de resgate da história missioneira é refazer os caminhos percorridos por índios e jesuítas. Na série Rota Missões desta quarta-feira, vamos conhecer o Caminho das Missões. Um percurso de quase duas semanas seguindo a pé pelas sete reduções jesuítico-guarani.
Ao redor da catedral de Santo Ângelo, um museu a céu aberto. São oito janelas arqueológicas expostas desde 2006, quando o município criou um departamento específico para isso. Em parceria com a Uri, foi desenterrada a história construída há 305 anos.

_Todo este trabalho que se vê aqui, que está agora nestas janelas arqueológicas, está impregnado do trabalho do índio guarani. É claro que com a orientação do jesuíta, mas aqui tem a mão do índio guarani, o remanescente deste povo, aquele que foi a primeira raça que se miscigenou com as demais que aqui chegaram_comenta a coordenadora do Museu Municipal de Santo Ângelo Clotilde Mousquer Farias.
E é junto das janelas arqueológicas e da Catedral Angelopolitana que termina o Caminho das Missões. Um percurso de 325 quilômetros que começa em São Borja, a primeira redução jesuítico-guarani. 13 dias depois, tudo termina aqui em Santo Ângelo, o último dos Sete Povos das Missões no Rio Grande do Sul.

Desde 2001, em torno de duas mil pessoas já percorreram o caminho. São trajetos pelas antigas estradas que ligavam os Sete Povos das Missões. Um dos idealizadores da atividade, Romaldo conta que além da história, esta é uma forma de valorizar o povo missioneiro. As comunidades abrem as casas para receber os peregrinos, como são conhecidos os que percorrem o caminho.

_Valorizando a gastronomia do local, valorizando a cultura das pessoas, como elas vivem, o seu cotidiano, a sua vestimenta. Então, o visitante tem uma informação vasta da região das Missões_ diz o guia Romaldo Santos.

Também há atividades paralelas, como a tradicional caminhada em comemoração ao aniversário da redução de Santo Ângelo. No último sábado em torno de 120 pessoas percorreram seis quilômetros. Lugares por onde, possivelmente, jesuítas e índios passaram quando fundaram a redução de San Angel Custódio. No trajeto, intervenções cênicas para entender a história que também passou por estes caminhos.
Para os peregrinos que refazem os caminhos missioneiros, a experiência vai muito além da história. Uma oportunidade de auto-conhecimento e reflexão.
_Ela começa a fazer uma caminhada interior. Ela esquece que dia é da semana, esquece o horário e começa a refletir sobre a vida_comenta Santos.
Para conferir a matéria completa que foi ao ar no Jornal do Almoço clique aqui.


Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Você conhece a história da Catedral

Em junho deste ano, o calçamento da Praça Pinheiro Machado, onde está a Catedral Angelopolitana precisou ser refeito. Foi o reparo mais recente para normalizar o acesso a uma obra que tem uma longa história. Até os moradores poderem apreciar as belas formas da catedral, muitas transformações foram feitas.
  


Fachada da antiga Catedral em 1900
Na origem, o que se tinha era o templo da Redução de Santo Ângelo Custódio, datado do começo de 1700. Com a destruição dos Sete Povos, tudo caiu em ruínas, mas em 1888, as pedras do antigo templo foram utilizadas na segunda construção. A etapa seguinte aconteceu em 1929, quando foi lançada a pedra fundamental que veio substituir a antiga Igreja Matriz. Alexandre Martins da Rosa, Januário Fernandes, Homero Bittencourt,Geraldino Câmerae o padre Henrique Hings foram os idealizadores do projeto, arrojado para a época.


Interior da Catedral em 1920

Em 1955,ValentinVon Adamovich concluiu a fachada da igreja. E no ano de 1971foram concluídas as torres da Catedral Angelopolitana, que havia alcançado esta condição em 1962. Em outubro de2008, a catedral foi reaberta ao público depois de uma ampla reforma nas áreas interna e externa da igreja.





Texto:  Mauro Toralles, Zero Hora

Santo Ângelo Custódio comemora 305 anos de fundação

A antiga redução de Santo Ângelo comemora no próximo sábado 305 anos de fundação.
A localização justifica o nome. O Centro Histórico de Santo Ângelo ocupa uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados bem no meio da cidade. É aqui que tudo começou, há mais de 300 anos.
A professora Nadir Damiani conta que a redução de San Angel Custódio foi fundada em 1706 próximo ao encontro dos Rios Ijuizinho e Ijuí grande, hoje município de Entre-Ijuís.
Em 1707, por questões de enchentes dos rios, dificuldades no transporte da erva-mate, o padre Diogo Hainze transferiu o reduto, o povoado de San Angel Custódio para cá, onde hoje está estruturado o atual município de Santo Ângelo.
A redução de Santo Ângelo se diferenciou dos outros povoados. O cemitério, por exemplo, ficava à direita da igreja. Lugar hoje ocupado pela prefeitura municipal. E diferentemente dos outros, o templo religioso tinha a frente voltada para o sul, como está a Catedral Angelopolitana. E se o povo santo-angelense é conhecido por ser acolhedor, pode haver uma explicação.
_Na região, havia muitas viúvas da etnia charrua. Essas viúvas foram agregadas à população guarani do reduto de San Angel Custódio_explica a professora de História Nadir Damiani.
Aqui chegaram a viver cerca de 3,5 mil habitantes e a redução era uma das mais ricas por cultivar erva-mate e e algodão e exportar para a Europa. Com o passar dos anos, o município de Santo Ângelo se formou a partir do traçado guarani. Por isso, muitas rochas das antigas construções foram reutilizadas, como nas paredes do Museu Municipal. Outra lembrança fica na Catedral Angelopolitana. A imagem do Cristo morto, datada de 1740.

A catedral hoje tem 50 metros de comprimento. Mas na época da redução, a igreja tinha 31 metros a mais. Isso se descobriu depois que a comunidade se mobilizou, pesquisou e escavou. Os moradores próximos do Centro Histórico abriram as casas para descobrir a história. E não é que descobriram?
Ao redor da Catedral, são oito janelas arqueológicas abertas em 2006, quando foi criado um departamento específico para isso no município.

_Em todo este material que está agora nestas janelas arqueológicas, nós estamos vendo o trabalho do índio guarani. É claro que com a orientação do jesuíta, mas aqui tem a mão do índio guarani, o remanescente deste povo, aquele que foi a primeira raça que chegou aqui_explica a coordenadora do departamento Clotilde Mouquer Farias.
Mas para os estudiosos, o que temos é um alfinete em um oceano. Ainda há muito a ser descoberto.Do antigo povoado, pouco sobrou. Mas os resquícios da última redução jesuítico-guarani continuam vivos, principalmente no povo missioneiro santo-angelense.
Para ver a matéria completa como foi ao ar no Jornal do Almoço, clique aqui.


Texto: Rafael Ristow, RBSTV Santo Ângelo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Série “Rota Missões” mostra São Luiz Gonzaga

As colunas e bases em pedra são alguns dos poucos resquícios da Redução de São Luiz Gonzaga. Tudo com uma perfeição intrigante. Como os índios conseguiam talhar nas pedras formas tão perfeitas?
Estas são as poucas lembranças concretas da importante história que se passou neste lugar.
_A Redução de São Luiz Gonzaga foi fundada pelo Padre Miguel Fernandes em 1678, mesmo ano da fundação da redução de São Nicolau e de São Miguel. Então, os índios já catequizados retornavam às suas antigas terras depois da destruição causada pelos bandeirantes, mais ou menos 50 anos antes_explica o professor de História Sérgio Venturini.
Da antiga redução, hoje se tem poucas imagens. Mas, São Luiz Gonzaga era considerado o centro das Missões, por ficar entre São Miguel e São Nicolau, lugar escolhido pelos jesuítas por ser alto, com bastante água e madeira, o que possivelmente foi a matéria-prima para as mais de 10 imagens de santos que hoje estão na igreja matriz da cidade.

As imagens sacras são o testemunho da grandiosidade da Redução de São Luiz Gonzaga. De tamanhos variados, eram recursos para catequizar os índios, assim como a música e o teatro. Não há datas específicas de criação e nem os autores para mostrar que era um trabalho coletivo. E ainda há curiosidades que chamam a atenção.
_As imagens de madeira eram escavadas o dorso, internamente, pra evitar que com a diferença de temperatura, a madeira dilatasse. No inverno, encolhendo e no verão se dilatando. E não como o pessoal diz aí, para torná-la mais leve ou para facilitar o contrabando dentro dessas imagens, ou também para colocar alguém falando nas imagens pra criar um clima de assombro junto aos guaranis_diz Venturini.
Imagem da antiga igreja da redução, integra o acervo Histórico e Geográfico de São Luiz Gonzaga

Onde hoje é o centro da cidade, era a redução de São Luiz Gonzaga. Onde está a prefeitura ficava o cemitério. Na sequência havia um pátio e ao lado a igreja, que tinha capacidade pra acomodar toda a população de 1613 pessoas. Eram 574 famílias, de acordo com um inventário do povo de São Luiz do ano de 1768.


Mas mesmo com toda a importância histórica, o município de São Luiz Gonzaga não integra mais o produto turístico Rota Missões. Para o vice-prefeito do município, uma rota turística é formada pela geografia e atrativos de cada região, independente da contribuição financeira dos municípios para um fundo em específico.
_Esse fundo, às vezes direciona muito uma região, um município e não o outro. É preciso harmonizar, entrar num entendimento pra que se divulgue todas as atrações turísticas de cada município. Se todos investem no fundo, todos tem que ter proveito_argumenta Mário Meira, vice-prefeito de São Luiz Gonzaga.
A Rota Missões é um produto turístico da Fundação Missões. Conforme o secretário executivo da fundação, Geovane Gisler, são respeitadas e obedecidas a história e a geografia da região missioneira e as ações são dirigidas para o fortalecimento da marca e da identidade regional. Os municípios integrantes tem as demandas acatadas ao participarem efetivamente das reuniões e ações do grupo.


Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

Rota Missões: Sítio Arqueológico de São Lourenço das Missões mais uma página da história da região

As ovelhas que correm soltas pelo Sítio Arquelógico de São Lourenço das Missões também ajudam a contar a história que se passou no lugar. São em torno de 30 animais da raça conhecida como missioneira, criada na época da antiga redução jesuítico-guarani.
As ovelhas estão aqui há 14 anos através de um projeto criado numa parceria entre a prefeitura de São Luiz Gonzaga e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Elas nasceram a partir de materiais genéticos armazenados na Embrapa de Pelotas e hoje fazem parte da paisagem junto com o que restou das construções. A história de um povo preservada há mais de 300 anos.
Era 1690 quando o Padre Bernardo De La Veja fundou a Redução de São Lourenço Mártir. Da Redução de Santa Maria Maior, lá na Argentina, ele trouxe 3512 índios. Já no começo, 823 famílias formaram o quinto povoado missioneiro no Rio Grande do Sul.
A redução tinha a praça ao centro e a igreja como principal construção. As poucas paredes ainda intactas dão a dimensão da grandiosidade do templo religioso. Um prédio com aproximadamente 80 metros de comprimento e 40 de largura. Tão grande quanto o tamanho, era a riqueza do local. No livro “Bens e Riquezas das Missões”, foram traduzidos os inventários dos sete povos. A obra relata que a igreja tinha cinco altares dourados e inúmeros objetos de ouro, prata e bronze. Aqui, mais uma vez, o que chama a atenção é a perfeição das pedras. Esculpidas de forma artesanal, grande parte intacta desde a época em que os índios habitaram esta terra.
O local chegou a ter quase 7 mil índios, uma das maiores reduções. Tudo numa série de construções tão bem planejadas que hoje ainda deixam dúvidas entre a população. Histórias como as de túneis subterrâneos que ligavam uma redução à outra. O que nada mais eram do que espaços embaixo da terra para guardar vinhos e alimentos.
_As pessoas até vem aqui e procuram, na nossa região, os túneis que ligavam… isso é lenda que as pessoas foram criando_comenta a professora de História Janete Melo de Souza.
Com o passar dos anos, novos elementos se revelaram para contar a história. A professora Janete conta que há poucos anos foram encontradas espécies de cisternas atrás da igreja. Espaços onde era armazenada a água da chuva.
_Hoje, nós estamos ainda resgatando a parte da preservação da água. Naquela época, eles já tinham a preocupação com o meio ambiente_explica.
Hoje, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é responsável pelo sítio arqueológico. O instituto preservou o cemitério que foi ocupado pelas comunidades recentes da localidade.
O Sítio Arqueológico de São Lourenço das Missões fica acerca de 30km da cidade de São Luiz Gonzaga. É o legado de um povo valorizado como patrimônio nacional. Mesmo com muitos mistérios históricos a serem desvendados, aqui a trajetória missioneira também resiste ao tempo.


Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Redução de São João Batista: uma história a ser descoberta

Na série Rota Missões desta quarta-feira, a RBS TV apresentou um patrimônio nacional.A reportagem do Jornal do Almoço foi até o interior de Entre-ijuís para mostrar o Sítio Arqueológico São João Batista, uma das sete reduções jesuítico-guarani.
Na chegada, a identidade preservada nas pedras. Evidêcias do que tinha neste lugar.
A redução de São João Batista tinha uma organização parecida com as demais. As casas dos índios e dos padres ao redor da praça, com a igreja e o cemitério ao lado. Aqui, as comunidades recentes ocuparam o cemitério com as sepulturas, o que, diferentemente das outras reduções, foi preservado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, hoje responsável pelo sítio arquelógico.
O lugar foi escolhido para fundar a redução pelo padre Antônio Sepp e 21 caciques. Entre as propridades, a madeira para as construções, grande quantidade de água sem a possibilidade de enchentes e alimento para a comunidade.
Em função do crescimento da população de São Miguel, em 1697 foi fundada neste local a redução de São João Batista. Tudo sob a responsabilidade do padre Antônio Sepp, um homem com grande conhecimento prático e apaixonado pelas artes. De acordo com os relatos da época, habilidades visíveis aqui nesta redução.
Na arquitetura, por exemplo, percebe-se a riqueza na fachada da igreja, coberta por esculturas e desenhos de flores, frutos, folhas e uma varanda com pequenas colunas. As construções eram feitas com uma pedra que tinha em grande quantidade na região, de aparência esponjosa, chamada itacurú. E a foi a itacurú que ajudou a destacar a redução. Dela era extraído o ferro para a fabricação de ferramentas e sinos, como o de São Miguel, por exemplo. Até então, todos os materiais de metal chegavam às missões gaúchas vindos da Espanha.
_Essas pedras eram colocadas num forno. Este forno, em alta temperatura, separava a escória, que é aquilo que não presta, do ferro. Esse ferro passava por um resfriamento e formava lâminas. Essas lâminas eram batidas até dar o formato daquilo que se pretendia fazer com elas_explica a professora de história Denise Bortollini.
Para a professora Denise, o sítio de São João Batista teve sorte por não ter uma ocupação desordenada pelas comunidades recentes. Nele há muita história a ser preservada e muita a ser descoberta.
São João é uma concha com uma pérola. Quer dizer, ela não foi aberta ainda, a pérola ainda não foi descortinada. Eu acredito que nestes movimentos de estudo, de escavações, cada vez mais vai se abrindo essa ostra_comenta Denise.
Em 1970, o sítio arqueológico São João Batista foi declarado patrimônio nacional. Mas mesmo com toda essa riqueza, o município de Entre-ijuís não integra mais a Rota Missões, o produto turístico da região. O prefeito diz que foi apontado pelo Tribunal de Contas do Estado para que devolvesse aos cofres do município os mais de R$22 mil repassados à Fundação Missões em 2009 e 2010.
_Esse apontamento foi por a Funmissões não prestar contas deste dinheiro que os municípios investem. Não sou eu, o Tribunal de Contas que me apontou_diz o prefeito de Entre-ijuís João Paulo Meneghine.
Segundo o assessor jurídico da Fundação Missões, Gladimir Chiele, mesmo a entidade sendo pública, constituída por municípios, é de direito privado. De qualquer forma, está formalizando os procedimentos para adequar o processo de prestação de contas, o que deve facilitar também a fiscalização. A Rota Missões é um produto turístico desta fundação e é formada por 19 municípios missioneiros. Lugares que refletem a riqueza histórica da colonização do Rio Grande que podem ser visitados pelos turistas.

Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo
 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Rota Missões: Há uma década mostrando o melhor da região

Sitio Arqueologico de São Miguel
Nesta quarta-feira, 6, o Jornal do Almoço começou a apresentar a série Rota Missões. Em comemoração, aos 10 anos do produto turístico missioneiro, todas as quartas-feiras, a RBS TV vai mostrar um pouco dessa região que é referência para todo o Estado. Nesta primeira década, a união dos municípios fez crescer o que a região tem de melhor: o turismo.
O sítio arqueológico de São Miguel das Missões. O Centro Histórico e a Catedral Angelopolitana de Santo Ângelo. O Centro Germânico e a estátua de São Pedro, em São Pedro do Butiá. Alguns dos pontos turísticos missioneiros. Destaques que integram o Rota Missões, um produto turístico, conjunto de atrativos dos municípios.

Catedral Angelopolitana Santo Ângelo
O Rota Missões integra a Fundação Missões e surgiu da iniciativa de 16 municípios e entidades empresariais da região. A união foi pensada para facilitar a captação de recursos e o encaminhamento de projetos. Nestes 10 anos, muita coisa mudou, pra melhor.
Nós temos investimentos importantes do setor público relacionados ao turismo, como o Centro Histórico de Santo Ângelo. O Deutsch Centro, a estátua de São Pedro, em São Pedro do Butiá. Nós temos agora a revitalização do Espetáculo do Som e Luz, toda a sinalização das estradas aqui da nossa região das Missões feita turisticamente pela fundação_conta o secretário executivo Fundação Missões Giovani Gisler.
Para o secretário executivo da Fundação Missões, esta primeira década também é marcada por um momento especial. A região foi tema de enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. Em 2005, a agremiação carioca venceu o carnaval com o tema “O vento corta as terras dos pampas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Guarani. Sete Povos na fé e na dor… Sete Missões de amor”.
A escola de samba divulgou as Missões gaúchas para todo o país. Um marco de desenvolvimento para o roteiro turístico da região.
_O volume de recursos investidos pelo setor público federal, estadual e até dos municípios é muito discrepante, é muito maior depois_diz Giovani Gisler.
A formação do Rota Missões contribuiu para o desenvolvimento turístico da região.Isso pode ser medido em números. Nestes 10 anos, 100% da rede hoteleira ampliou ou reformou as instalações. É que a cada ano em torno de 100 mil pessoas vem conhecer os atrativos missioneiros.
Há ainda o famoso Caminho das Missões. Um roteiro de caminhadas pelas antigas estradas que ligavam as reduções jesuítico-guarani. O percurso começa em São Borja, vai até Santo Ângelo e pode levar até 13 dias. Parte do trajeto foi feita essa semana por um grupo de bolivianos, paraguaios e argentinos.
_A gente se reencontra com a identidade mesma que significou o legado dos jesuítas e do povo guarani_diz o turista boliviano Germain Caballero.
_Foi uma experiência muito boa, muito linda_diz o turista paraguaio Christian Vömel.
A história e a cultura também foram referência para a criação de móveis missioneiros. Fabricados por um grupo de marcenarias, o objetivo foi desenvolver uma identidade também no mobiliário bem como o artesanato inspirado nas cores marcantes do céu, do chão e do por-do-sol das missões, as peças revelam a arte em pedra, vidro e madeira. Tudo revela a expressão de orgulho das origens missioneiras.
Um orgulho herdado do herói guarani Sepé Tiaraju que lutou contra espanhóis e portugueses pela manutenção do território das Missões. Todo este legado hoje pode ser visto de perto e a história mais aprofundada e revisitada por turistas com o desejo de desvendar tantos mistérios.

Texto: Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo